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Grande Otelo (1915-1993) |
Sebastião Bernardes de Sousa Prata, conhecido como Grande Otelo, nasceu em Uberlândia, Minas Gerais, em 18 de outubro de 1915. Sua carreira iniciou aos 8 anos no circo quando contracenou com um palhaço.
A história merece ser citada, pois interpretava o papel de uma mulher grávida, colocando um travesseiro na barriga. Durante o quadro cômico, havia a simulação de um tiroteio, que a produção do circo esqueceu de lhe avisar e Grande Otelo, apavorado, saiu correndo deixando o picadeiro. A cena foi tão real que no dia seguinte, o dono do circo incluiu no script.
Na realidade, sua escolha pela profissão artística, se deve ao filme "O garoto", de Charles Chaplin (1921).
Mudou-se para São Paulo com uma companhia teatral. Quando atuava no musical Goal (1935), recebeu o nome artístico que o consagraria. No mesmo ano, estreou no cinema com o filme Noites Cariocas, ao lado de Oscarito, com quem formou a dupla cômica mais famosa do cinema brasileiro.
Começou a se apresentar no Cassino da Urca a convite de Carlos Machado e entrou para o teatro de revista. Em 1942, filmou It's All True, de Orson Wells, no Brasil, e em 1982 filmou Fitzcarraldo, do alemão Werner Herzog na selva, no Peru. Grande Otelo teve uma carreira extensa e de muito trabalho.
Era um tipo popular e divertido. Além de comediante incomparável, atuando com Oscarito em dezenas de filmes de chanchada e comédias na Praça Tiradentes e no Cassino da Urca, atuava com louvor na dramaticidade.
Foi adotado pelo cinema novo nos anos 60, quando estrelou "Macunaíma", de Joaquim Pedro de Andrade. Podemos citar muitos de seus trabalhos tais como: "Esse Mundo é um Pandeiro" (1947), "Carnaval Atlântida" (1950), "Carnaval no Fogo" (1950) e "Matar ou Correr" (1954). Como compositor, fez parceria com Herivelto Martins em músicas como "Praça Onze" (1940), "Bom dia, Avenida" (1944) e "Fala, Claudionor" (1946). Trabalhou também em telenovelas e escreveu um livro de poesia, "Bom dia, Manhã" (1993).
Grande Otelo morreu em 26 de novembro de 1993, de enfarte, quando desembarcava no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, pois seria homenageado no Festival de Cinema de Nantes. Com seu 1,50 m de altura, olhos esbugalhados e beiços enormes de bebê chorão, marcou presença na classe artística e deixou saudoso o público brasileiro.
Fonte: http://www.3continents.com