Cinema
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Quando o cinema ainda era uma aventura, as câmeras encontravam na dança uma matéria prima, o movimento. Todos os estilos de dança já foram abordados no cinema, com diferentes finalidades. Entretanto uma coreografia concebida para o palco não poderia ser transportada para a tela sem perder muito do seu impacto; não existiam peritos para isso.
O cinema então inventou sua própria dança concebida em função da câmera. Servia às vezes para realçar a sensualidade, como aconteceu com o tango de Rodolfo Valentino em Quatro Cavaleiros do Apocalipse.
Foi através do musical que a dança passou a ter uma personalidade cinematográfica, o grande pulo do cinema sonoro.
Até a década de 1930, o uso da dança nos musicais foi apenas ornamental. O primeiro musical centrado em dança, On Tour Toes, data de 1936, coreografado por Balanchine e satirizava o ballet; apesar de já ter um papel na ação do filme, não tinha ainda uma integração total.
Na mesma época e vindo da Broadway, Fred Astaire trouxe sua elegância e sua leveza, deslizando e sapateando em cenários simples. Sua dança fazia esquecer sua personalidade como ator e, mesmo não correspondendo a um padrão de galã, tornou-se um ídolo por sua dança. Começou em 1932 com Voando para o Rio, uma fantasia tropical, comum neste tempo. Com Ginger Rogers formou uma dupla histórica: foram nove filmes em seis anos. Astaire preferia coreografar seus solos e duos e trabalhou com todos os grandes diretores de um gênero onde reinava, fascinando multidões.
Na década de 1940, o desenho animado usou a dança, Fantasia de Walt Disney, explorando os efeitos visuais que a música sugere e até uma Dança das Horas com elefantes, hipopótamos e crocodilos.
Atlético como dançarino, versátil como ator, Gene Kelly também começou na Broadway e só chegou ao cinema ao completar 30 anos. Alguns dos mais incríveis momentos de dança no cinema tiveram nele o coreógrafo e o intérprete, Cantando na Chuva e Sinfonia em Paris, duas obras primas. Apresentou um balé clássico em A Lenda dos Beijos Perdidos, mostrou sua comédia em Marujos do Amor e seu lado inovador em O Pirata. Deve-se também a Kelly um longa-metragem só de dança, Convite a Dança, premiado no Festival de Berlim de 1956.
Nos anos 50, a Rússia exportou muitos balés filmados na íntegra, como Romeu e Julieta e O Lago dos Cisnes.
A partir dos anos 60, os musicais foram se tornando escassos, até que Bob Fosse concebeu All That Jazz e Cabaret.
Sucessos de bilheteria e belos filmes foram os europeus de Carlos Saura: Bodas de Sangue, Carmen e Amor Bruxo, onde foi muito cuidado e trabalhado o entrosamento entre a câmera e as coreografias.
O típico filme americano de dança da década de 80 em nada se aparenta ao musical; são filmes para uma juventude que freqüenta discotecas: Flashdance e Embalos de Sábado à Noite.
A tendência mais comum hoje é transportar para a tela aquilo que já fez sucesso no palco.