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Samba

Para explicar esta característica libertadora do samba, é necessário ressaltar a cultura negra africana e a importância da música pois, para o negro africano, a música se faz presente nas mais diversas atividades de sua vida.

O procedimento destas culturas escravizadas ao chegarem ao Brasil, pelo processo de opressão que sofreram, liga-se muito diretamente ao caráter guerrilheiro do nosso samba, manifestando claramente uma tradição de resistência às imposições da cultura dominante até os dias de hoje.

Os negros escravos praticavam o ritmo do samba classificado como batuque. Por uma série de imposições, através dos tempos, o samba atual é o reflexo da relação vivida entre as elites e as classes dominadas.

Em rodas batucadas (ou rodas de samba), observa-se a umbigada, presente na maioria das danças de Angola e do Congo. A umbigada não seria propriamente uma dança completa e sim uma parte de uma das danças do batuque, que na época dos escravos foi duramente reprimida sendo considerada muito erótica. Essa dança se constitui numa roda com uma figura central que vai sendo sempre substituída. Todos dançam com movimentos de corpo, para frente, com a finalidade de encostar o umbigo no umbigo do outro.

Muito se questiona a origem da palavra samba. Em um dialeto africano, samba significa umbigo e samba é uma das danças na qual dança-se a umbigada. Neste caso, temos então uma das várias conhecidas versões para a palavra de nossa música e ritmo samba.

O Samba - resistência às estratégias e ao processo de folclorização.

Na época da escravatura, a cultura africana já era duramente reprimida, por vários fatores, entre eles o religioso e o social. A cultura e a religião africanas entravam muito em conflito com as européias da época, sem falar no fato de que a população negra era majoritária. Assim sendo, proteger a sua cultura significativa dar força e estrutura a tais pessoas.

Hoje em dia ela não é perseguida, mas sofre pelo preconceito das pessoas que valorizam muito as culturas estrangeiras. Exemplo disso é a indústria fotográfica e cinematográfica estrangeira (na sua maioria norte americana) que se instalou e permaneceu aqui até hoje.

Esta valorização ocorreu durante a segunda grande guerra pela política de Boa Vizinhança adotada pelos EUA em relação aos países da América Latina, que acarretou no intercâmbio entre as culturas brasileira e norte americana. Um exemplo deste pseudo intercâmbio é a relação entre Carmem Miranda e Zé Carioca de Walt Disney. É importante notar que a pequena notável e o Bando da Lua cantavam em inglês em um arremedo da música centro americana, uma rumba chamada South American Way. Entretanto, o Zé Carioca continuou falando inglês, se, obviamente, assimilar a nossa cultura.

Ao longo dos tempos, os meios de comunicação desempenharam um papel importante na implantação definitiva dessa indústria cultural estrangeira e, nos dias de hoje, o melhor exemplo são as rádios FM.

As rádios FM sempre procuram destacar a música estrangeira com a programação baseada num esquema padrão, visando a massificação desses produtos importados, com o objetivo de atingir o público jovem.

No entanto, o preconceito com a cultura negra não é devido apenas à supervalorização de outras culturas. Existe mais um fator estimulador: o processo de folclorização.

Esse fator atua provocando a marginalização, desvalorizando as músicas caracteristicamente nacionais, colocando-as em guetos, designando-as como folclóricas e exóticas ou como gêneros musicais ultrapassados, fora de moda.

Por outro lado, esta marginalização pode atuar na apropriação e na aculturação, diluindo uma forma musical de seu conteúdo cultural, para que esta nova forma torne-se objeto folclórico exótico. Então, a nova forma - produto da diluição - é transformada em moda, pronta para ser consumida, acelerando a sua massificação. Acontece, então, um rápido processo de debilitação de uma cultura nacional. Um bom exemplo dessa diluição é a Bossa Nova, que é produto da mistura feita entre o samba e o jazz.

Entretanto, apesar da diluição ter ocorrido neste novo estilo e da Bossa Nova ter sido muito divulgada, não conseguiram folclorizar o samba, pois é uma manifestação agressiva, pelo seu caráter de resistência e de luta contra o colonizador.

"Meu samba não é um modismo que vem e vai
meu samba enfrenta a fúria dos vendavais
meu samba é uma tinta que mancha e nunca sai
Quem samba não esquece mais."

Arlindo Cruz e Almir Guineto.

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