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Se quisesse aprender a escrever, Jean-Pierre tinha que tentar sozinho: seu
pai, um arquiteto muito ocupado, passava o tempo todo planejando novos
tipos de casas para os caracóis; sua mãe, uma modista muito famosa,
estava sempre lançando, para os caracóis do Brasil, os últimos modelos
escargots franceses. E professor nenhum queria aceitar Jean-Pierre como
aluno: diziam que ele era analfabeto de nascença e que caracol que nasce
analfabeto morre analfabeto.
Como não conseguia escrever, Jean-Pierre perdeu o gosto de andar - que é
uma das coisas que os caracóis mais gostam de fazer na vida; e, como não
sabia ler, perdeu o gosto de brincar com os caracóis de sua idade, todos
alfabetizados. Por isso, Jean-Pierre achou que não tinha mais o que fazer
nesse mundo: trancou-se dentro da casinha que levava sempre às costas -
como todos os caracóis - e não saía de lá pra coisa alguma.
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