Leitura & Escrita
Mochila nas costas



arlos Drummond de Andrade nasce em Itabira do Mato Dentro, pequena cidade mineira, no dia 31 de outubro de 1902. Freqüenta durante quatro anos o Grupo Escolar Dr. Carvalho Brito, mas é no internato do Colégio Arnaldo, em Belo Horizonte, que Drummond conhece Gustavo Capanema e Afonso Arinos, futuros companheiros. Problemas com a saúde afastam o autor da escola e o levam a ter aulas particulares com o professor Emílio Magalhães. Em 1918, volta a freqüentar a escola, só que agora o Colégio Anchieta, no Rio de Janeiro. No final de 1919, é expulso devido a um incidente com o professor de Português, o que ele próprio afirma mais tarde ter sido decisivo na sua carreira de escritor:

"Perdi a fé. Perdi tempo. E sobretudo perdi a confiança na justiça daqueles que me julgavam. Mas ganhei vida e fiz alguns amigos inesquecíveis."

Mas é como jornalista que Drummond começa a ter destaque. Escreve para jornais escolares e posteriormente, para o Diário de Minas e para as revistas Ilustração Brasileira e Para Todos, do Rio de Janeiro.

Em 1923, matricula-se na Escola de Odontologia e Farmácia de Belo Horizonte. Nessa época, o poeta se correspondia com Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, onde têm início ideais modernistas.

Em 1925, o poeta conclui o curso de Farmácia, cuja carreira não segue, e casa-se com D. Dolores Dutra de Morais. O primeiro filho do casal nasce, mas morre momentos depois. Em 1928 nasce a filha Maria Julieta.

Nem o magistério o completou como profissional. Foi como redator que começou a se encontrar. E ainda em 1928 publica o poema "No Meio do Caminho" na Revista Antropofagia, que escandalizou o país. Torna-se também servidor público, passando depois a oficial de gabinete de seu amigo Gustavo Capanema, em Minas Gerais. Também em jornais do Rio de Janeiro Drummond teve forte participação. Paralelamente a todas essas funções, a atividade literária fervilhava sem cessar.

Em 1962, Drummond se aposenta de suas atividades burocráticas, prosseguindo na carreira literária e jornalística. Problemas de saúde de sua filha e o desaparecimento trágico do amigo Pedro Nava não o impediram de escrever, mas contribuíram para enfraquecer o coração do poeta.

Em 5 de agosto de 1987, Maria Julieta encerra sua luta contra o câncer. E em 17 de agosto do mesmo ano, prestes a completar 85 anos, por insuficiência cárdio-respiratória, Drummond nos deixa. Deixa também sua rica e vasta obra, que muito tem a dizer e emocionar. De maneira simples realizou-se sua despedida desta vida. Nos restam, então, suas belas palavras, o seu Legado:

"Que lembrança darei ao país que me deu
tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?
Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu
Minha incerta medalha, e a meu nome se ri.
(...) De tudo quanto foi meu passo caprichoso
na vida, restará, pois o resto se esfuma,
uma pedra que havia no meio do caminho."

Fonte das imagens de Carlos Drummond de Andrade:
http://www.secrel.com.br/jpoesia/drumm.html