Leitura & Escrita
Mochila nas costas


formiga Saúva, folha por folha recorta e depois transporta para a sua horta. Formiga-da-roça, de muita ação, praga devota da plantação! Fátima Miguez nos fala desta formiga em seu livro "Quem não arrisca não petisca". Arrisque-se a ler parte desta história, pois com certeza você vai gostar!

Quem não arrisca não petisca

Uma formiga saúva
saúda uma viúva.
É tempo de sol e chuva
Casamento de viúva!

(...)

Tempo traz tempo,
Chuva traz vento...
Bons ventos inventam,
Uma história vai começar...

Chuva vai, chuva vem,
Saúva miúda o Brasil tem!
Chuva vem, chuva vai,
Sem saúde e com saúva o Brasil cai!

Formiga da roça,
De muita ação,
Praga devota
Da plantação!

(...)

São dez, são mil
Cortadeiras a carregar.
Devagar se vai ao longe
E as saúvas chegam lá...

Os rios correm para o mar.
As folhas para o formigueiro,
Espalhadas, bem mascadas,
São alimento para o ano inteiro.

A formiga saúva
Sabe a folha que rói...
A viúva sem saúde,
Acode onde mais lhe dói!

Adeus, lavoura,
Adeus, a viúva lamenta.
Praga daninha, a saúva,
A tirar o meu sustento!

(...)

Mas um dia é da caça,
Outro do caçador...
A saúva acaba assada
na mesa do trabalhador!

A fêmea da saúva,
Içá ou tanajura,
É iguaria brasileira
Apurada na frigideira.

A saúva está frita
Quando alguém grita:
"Tanajura, cai, cai!
Pela vida do teu pai!"

A queda das formigas
É planejada por raparigas (mulheres novas, moças),
Ao som de cantigas
E toalhas estendidas.

Tanajuras aladas (voadoras)
Caem na emboscada!
Sem pés nem asas,
com toucinho são torradas.
Onde há fumaça, há fogo!
A saúva é petisco do povo.
Quem não arrisca não petisca,
o ditado popular dá a pista!

A viúva sem saída,
para tapear a saúde,
traça a formiga,
aliviando sua barriga.

Ora a saúva adoece a plantação,
Ora a saúva abastece a mesa da população!
Muita saúva e pouca saúde
Os males do Brasil são!

Quem com ferro fere
Com ferro será ferido...
Ou o Brasil acaba com a saúva
Ou a saúva acaba com o Brasil.