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Esta é uma crônica escrita em um estilo leve e coloquial pelo jornalista Apicius e editada no Domingo, suplemento do Jornal do Brasil; Ano 25; No. 1.302; 15 de abril de 2001. A Equipe do Mochila nas Costas dá as informações reais e históricas dos fatos e personagens da História do Brasil que o "vovô Horácio" apresenta de forma irreverente e brincalhona para sua "netinha". Aprenda, brincando!
História Recente
-Ah! Minha filhinha! Fiquei escandalizado com seu livro de História que li. Nunca me interessei muito por política, mas aquelas coisas que estão lá não escalpam a verdade.
-Como é que se escalpa a verdade, vovô?
-Assim como você vê nos livros: lhe arrancando os cabelos. Pois não é que você leu que Getúlio Vargas mandou amarrar seus cavalos no obelisco da Praça XV? Puro engano, filhinha. É que o Jockey ficava ao lado do obelisco. (Um dia desse o derrubam).
Também tudo aquilo que dizem do Getúlio é uma incongruência. O pior é que ele era muito baixinho e tinha idéias socialistas. O problema é que ele tinha também idéias integralistas. Que são os integralistas? Eram uns senhores que se pintavam de verde e criavam galhinhas. Não sei por que os livros de História se ocupam deles.
Mas sei por que você não está entendendo esta história tão bem contada. Nem as minhas são assim, quando me esqueço das coisas. E também não entendo porque depuseram o Imperador. Tinha até barbas. Como é que se faz uma coisa dessas com um senhor de barbas? Acho falta de respeito. Mas isso são coisas do passado.
Estávamos falando do Getúlio. Dizem que escrevia cartas. Escreveu uma que deu uma confusão extrema. Ah! Depois veio o Brigadeiro. Na verdade não veio. No lugar dele veio o Dutra, que tinha uma mulher muito católica que mandou acabar com o jogo. O que é que você disse? Buraco pode.
Depois fizeram Brasília, que é uma fazenda muito linda, perdida no meio do Brasil e cheia de políticos. No meio de Brasília, o que eles fazem são coisas que ninguém sabe.
Aí veio a Revolução, que uns acham que é revolução e outros acham que nem aconteceu. Você precisa aprender, minha filhinha, que os conceitos variam. Nunca acredite muito em nada. Nem em seu avô, que é tão sincero, que só mentiu três vezes, sob juramento, no Supremo Tribunal. E assim mesmo, a causa era justa. Mas lhe explicar essa causa levaria dez anos, se até lá Deus me desse vida.
Bem gostaria eu, minha pombinha, de lhe explicar mais da História desta terra. Mas é tão complicada! É melhor que se dedique aos brinquedos. Mas só brinquedos que não machuquem. Senão você acaba como aquela sua amiga que quebrou a clavícula e acabou estudando Física.
Da próxima vez escrevo uma carta mais detalhada. Seu avô,
Horácio.
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